Em meio a tensões, Israel sofre com crise de saúde mental e hospitais de Gaza podem fechar

 


Representante da Organização Mundial da Saúde visita sobreviventes israelenses e aponta “fardo psicológico coletivo” provocado pela crise dos reféns; em Gaza, assistência de saúde e outros serviços essenciais podem ser interrompidos nesta quarta-feira por falta de combustível.

As operações humanitárias em Gaza correm o risco de serem interrompidas nesta quarta-feira por falta de combustível, alertam agências da ONU.  Ao mesmo tempo, Israel continua lidando com uma prolongada crise de reféns e demais consequências dos ataques do Hamas em 7 de outubro.

Nesta terça-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um apelo ao Conselho de Segurança por um cessar fogo humanitário imediato. Segundo ele, a trégua é necessária “para aliviar o sofrimento épico, tornar a entrega de ajuda mais fácil e segura e facilitar a libertação de reféns”.

Debate no conselho de segurança

Guterres disse que embora nada pudesse justificar os ataques horríveis do Hamas de 7 de outubro, era importante reconhecer que eles “não aconteceram no vácuo” e não justificavam a punição coletiva dos palestinos.

Após os comentários do secretário-geral, o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, anunciou que vistos seriam negados aos funcionários da ONU, argumentando que o discurso de Guterres procurava justificar o ataque brutal do Hamas que deixou cerca de 1,4 mil mortos.

Um visto israelense já foi recusado ao chefe de ajuda humanitária da ONU, Martin Griffiths, disse Erdan em entrevista à imprensa.

OMS Michel Thieren (à direita) conversa com a equipe médica em sua visita ao Centro Médico Barzilai em Ashkelon.

Israel em trauma profundo
O representante especial da OMS em Israel, Michel Thieren, disse que o trauma dos sobreviventes e o “fardo psicológico coletivo” provocado pela crise dos reféns aumentaram as necessidades de saúde mental. Mais de 220 israelenses e cidadãos estrangeiros ainda são mantidos em cativeiro em Gaza.

Ao visitar um hospital na cidade de Ashkelon, no sul de Israel, que está tratando muitas das 4,6 mil pessoas feridas nos ataques, Thieren disse que “quase todos os sobreviventes tinham visto outra pessoa morrer antes de eles próprios serem feridos”.

O representante da OMS sublinhou que a saúde mental dos médicos e enfermeiros que conheceu em Israel foi fortemente afetada pelos relatos dos sobreviventes e pelas feridas que tratavam.

Ele também visitou bases militares onde os corpos mutilados de muitas das 1,4 mil vítimas dos ataques do Hamas estão armazenados em containers refrigerados e falou sobre o impacto sobre os médicos e peritos forenses que lutam para identificá-los.

Escassez de combustível
O principal hospital de Gaza, no sul do enclave, fez um alerta do de que as operações de salvamento seriam interrompidas na noite de quarta-feira devido à escassez de combustível. 

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos, Unrwa, alertou que, a menos que seja permitida a entrada de combustível, também será forçada a interromper todas as operações a partir de quarta-feira à noite.

Gaza está sob um apagão total de eletricidade desde 11 de outubro e a escassez de combustível comprometeu serviços essenciais, desde ambulâncias a padarias e instalações de abastecimento de água.

De acordo com relatos da mídia, um quarto do comboio de ajuda humanitária chegou ao enclave através da passagem fronteiriça de Rafah na noite de terça-feira, composto por oito caminhões do Crescente Vermelho Egípcio.

OMS Palestinos fazem fila por água em Gaza

Situação de mulheres e meninas
Terça-feira também registou o maior número de vítimas mortais registado em um único dia em Gaza desde o início do confronto, segundo o Escritório da ONU de Assuntos Humanitários, Ocha.

Cerca de 704 palestinos, incluindo 305 crianças, foram mortos, elevando o número total de óbitos no território para 5.791, segundo o Ministério da Saúde Palestino.

Em entrevista para a ONU News, a vice-diretora executiva da ONU Mulheres, Sarah Hendriks, enfatizou a necessidade urgente de mulheres e meninas em Gaza terem acesso a abrigo seguro, proteção e cuidados de saúde maternos. 

Ela disse que, de acordo com o Fundo de População da ONU, Unfpa, cerca de 50 mil mulheres em Gaza estão atualmente grávidas e espera-se que mais de 5,5 mil deem à luz no próximo mês

Fonte: ONU

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