Americanas, bilionários e Gutierrez trocam acusações sobre responsabilidade de fraude contábil

 


A Americanas e o ex-presidente-executivo Miguel Gutierrez trocaram acusações na segunda-feira sobre a responsabilidade da fraude contábil que levou o grupo a solicitar um dos maiores pedidos de recuperação judicial da história.

No final da tarde da mesma segunda-feira, Gutierrez, que liderou a companhia por duas décadas antes de ser substituído por Sergio Rial no início deste ano, enviou uma extensa carta de 17 páginas aos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está investigando a crise na rede varejista.

No documento, Gutierrez alega que “nunca teve conhecimento” de que a pressão exercida pelos controladores da Americanas por resultados “teria levado a atos de manipulação contábil”, destacando que o setor estava sob “forte influência e controle” dos “acionistas de referência”, que incluem os bilionários Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles.

Gutierrez também revela que deveria ter deixado a liderança da empresa em 2021, conforme decidido pelos controladores e comunicado a ele por Sicupira em 2019. No entanto, a pandemia adiou a transição na presidência-executiva da Americanas por um ano. O executivo menciona que, na época, desempenhava o papel de “CEO de CEOs”, assumido após a fusão da Lojas Americanas com a B2W, o que naturalmente implicava em um “menor envolvimento com as áreas mais técnicas e operacionais”.

No entanto, em resposta à carta de Gutierrez, a Americanas, por meio de um comunicado, nega categoricamente as alegações do ex-executivo e afirma que “as demonstrações financeiras da empresa foram fraudulentamente manipuladas pela diretoria anterior da Americanas, liderada pelo senhor Miguel Gutierrez”.

Nesta terça-feira, a holding LTS, pertencente ao trio de bilionários, também rejeitou as acusações feitas por Gutierrez. Segundo a LTS, os comentários do ex-presidente da Americanas “carecem de provas de suas alegações e não desmentem as evidências de sua participação na fraude”. A holding argumenta que o que aconteceu na Americanas foi uma “fraude ardilosa”.

A CPI da Americanas foi instaurada em meados de maio e tem prazo até 14 de setembro para concluir suas investigações. Nesta terça-feira, a Comissão agendou uma sessão para as 15h, na qual pretende colher o depoimento de Anna Saicali, ex-diretora da empresa, na qualidade de convocada, e discutir e votar o relatório preparado pelo relator Carlos Chiodini (MDB-SC).

No seu relatório, o deputado optou por não atribuir responsabilidades pela fraude na varejista, mas sugere uma série de medidas para reforçar a responsabilidade no mercado financeiro.


Fonte: Reuters

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