Causa da inadimplência não está no parcelado sem juros, diz Abrasel


O setor de bares e restaurantes, em conjunto com o varejo, está unido na defesa da manutenção das compras parceladas sem juros no cartão. Segundo Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), acabar com essa modalidade representaria uma ruptura no crédito que prejudicaria todo o comércio.

Para a Abrasel, a manutenção do parcelamento é crucial para manter um “comércio vibrante”. Solmucci enfatiza que bares e restaurantes dependem do movimento nas ruas, que é impulsionado por um comércio ativo e robusto. Ele argumenta que o comércio conta com as compras parceladas, e sem elas, todo o setor sofreria um impacto negativo. Segundo ele, o comércio é um ecossistema interdependente, e a falta de compras parceladas afetaria não apenas bares e restaurantes, mas também outros segmentos e empresas que usam essa modalidade como forma de empréstimo.

A Abrasel também destaca que o problema da inadimplência não está no parcelamento em si, mas sim no crédito irresponsável. O Brasil tem um alto número de cartões de crédito em circulação, superando em muito a população economicamente ativa. Solmucci aponta que a inadimplência se deve ao excesso de cartões emitidos pelos bancos.

Restringir o parcelamento afetaria uma parte significativa da população brasileira, que muitas vezes precisa parcelar compras de itens essenciais, como medicamentos. Além disso, a modalidade de parcelamento é utilizada como capital de giro por pequenos comerciantes, e sua limitação poderia afetar negativamente sua capacidade de obter crédito.

Há também o risco de impacto no chamado ‘crédito fumaça’, que depende de garantias de pagamentos futuros, como os recebíveis das vendas parceladas. Pequenos comerciantes podem perder essa fonte de crédito vital.

O governo busca reduzir os juros do cartão de crédito e a inadimplência, mas a discussão sobre o fim do parcelamento sem juros no cartão surgiu após sugestões do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de criar “desincentivos” para esse tipo de compra. No Congresso, um projeto estipula prazos para os bancos definirem os juros do rotativo, mas não aborda o parcelamento sem juros.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, alega que os bancos, que controlavam todas as transações via Cielo e Redecard, agora querem taxar o parcelamento devido à crescente concorrência no setor das “maquininhas de cartão”. Ele argumenta que essas instituições não aceitam a concorrência, mas ainda lucram muito com os altos juros propostos pelo projeto de lei.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que não está buscando taxar o parcelamento e confia nas negociações técnicas entre governo, Banco Central e a indústria de cartões para encontrar uma solução. Eles buscam diluir o risco de crédito entre os elos da cadeia e reequilibrar a distorção nas compras parceladas sem juros no Brasil.

A Febraban se opõe a limitar os juros no rotativo, argumentando que isso afetaria a oferta de crédito e poderia tornar muitos cartões de crédito economicamente inviáveis, o que impactaria negativamente a economia, já que o cartão de crédito representa uma parcela significativa do consumo e do PIB no Brasil.

Campos Neto, do Banco Central, enfatiza a necessidade de tornar o parcelamento sem juros sustentável e destaca que o Brasil tem um alto nível de consumo por meio do cartão de crédito em comparação com outros lugares do mundo. Ele teme que um problema de inadimplência gere um travamento que afetaria o consumo.


Fonte: Uol

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